segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Reunião de anciões




- Quantas mortes aconteceram no território que demos a eles? – Olhos de Sangue quis saber. Enquanto os outros anciões discutiam quem poderia ter causado as mortes e o descuido que aquela alcatéia de jovens lobisomens estava tendo com o território tão valioso, o ancião cego, que passou a discussão apenas em silencio ouvindo, finalmente falou.

Apesar de todos na cabana serem tão velhos quanto Olhos de Sangue, quando o cego fez a pergunta, todos se calaram para ouvi-lo.

- Quatro mortes, meu senhor. – Respondeu o líder, Cachimbo da Paz. – Nosso informante confirmou que as mortes foram feitas por garras e presas, o que atraiu a atenção indesejada dos nossos inimigos de Santa Luz.

O cego ficou calado. Mas uma velha falou com sua voz calma e terna:

- Não podemos deixar que os Puros descubram sobre aquele lócus. É um lugar sagrado e herança de nossos guerreiros mais valorosos. Se a gente não interferir, certamente os Puros vão achar o lugar.

- Canções Passadas está certa! – Falou alto e de modo grosseiro um outro velho cheio de cicatrizes pelo corpo e uma especialmente grotesca que atravessava o seu rosto de orelha a orelha passando pelo nariz. – Temos que retirar daqueles fracos filhotes o território e protegermos nós mesmos contra o que virá!

O cego se moveu novamente, mas não falou nada. Assim, Cachimbo da Paz, o líder daquela alcatéia falou:

- Meu guardião Focinho Cortado, precisamos de sua força, e dos outros guardiões, aqui na nossa ilha. Aquela alcatéia de filhotes a quem nós demos o território precisa agora provar seu valor resolvendo eles mesmos esse embate.

Focinho Cortado não ficou nada satisfeito, mas se encolheu diante das palavras de seu líder.

- Então, o que faremos?

Em resposta a pergunta do guardião, Espírito do Vento, o líder espiritual da alcatéia de anciões falou:

- Tragam eles aqui. Deixaremos eles a par de tudo que sabemos e daremos a eles a chance de resolver o problema.

E assim, foi ordenado.
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