- Quantas mortes aconteceram no
território que demos a eles? – Olhos de Sangue quis saber. Enquanto os outros
anciões discutiam quem poderia ter causado as mortes e o descuido que aquela
alcatéia de jovens lobisomens estava tendo com o território tão valioso, o
ancião cego, que passou a discussão apenas em silencio ouvindo, finalmente
falou.
Apesar de todos na cabana serem
tão velhos quanto Olhos de Sangue, quando o cego fez a pergunta, todos se
calaram para ouvi-lo.
- Quatro mortes, meu senhor. –
Respondeu o líder, Cachimbo da Paz. – Nosso informante confirmou que as mortes
foram feitas por garras e presas, o que atraiu a atenção indesejada dos nossos
inimigos de Santa Luz.
O cego ficou calado. Mas uma
velha falou com sua voz calma e terna:
- Não podemos deixar que os Puros
descubram sobre aquele lócus. É um lugar sagrado e herança de nossos guerreiros
mais valorosos. Se a gente não interferir, certamente os Puros vão achar o
lugar.
- Canções Passadas está certa! –
Falou alto e de modo grosseiro um outro velho cheio de cicatrizes pelo corpo e
uma especialmente grotesca que atravessava o seu rosto de orelha a orelha
passando pelo nariz. – Temos que retirar daqueles fracos filhotes o território
e protegermos nós mesmos contra o que virá!
O cego se moveu novamente, mas
não falou nada. Assim, Cachimbo da Paz, o líder daquela alcatéia falou:
- Meu guardião Focinho Cortado,
precisamos de sua força, e dos outros guardiões, aqui na nossa ilha. Aquela
alcatéia de filhotes a quem nós demos o território precisa agora provar seu
valor resolvendo eles mesmos esse embate.
Focinho Cortado não ficou nada
satisfeito, mas se encolheu diante das palavras de seu líder.
- Então, o que faremos?
Em resposta a pergunta do
guardião, Espírito do Vento, o líder espiritual da alcatéia de anciões falou:
- Tragam eles aqui. Deixaremos
eles a par de tudo que sabemos e daremos a eles a chance de resolver o
problema.
E assim, foi ordenado.
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